Conforme o Informativo Conjuntural, elaborado pela Emater/RS-Ascar, as baixas temperaturas registradas recentemente têm sido bastante benéficas para o trigo, inibindo o aparecimento de doenças fúngicas e acelerando o perfilhamento das plantas, o que, segundo os técnicos, poderá se refletir em uma maior produção no futuro. O percentual de área plantada avançou ligeiramente, alcançando 98% do total. A área restante, que se localiza, principalmente, nos Campos de Cima da Serra e na Zona Sul do Estado, deverá ser finalizada em breve. As lavouras germinadas, que no momento perfazem 92%, se encontram em muito bom estado em consequência das condições favoráveis. Naquelas mais adiantadas, os produtores aproveitam a umidade presente no solo para realizarem adubações nitrogenadas em cobertura.
Após o final de semana, a entrada de uma massa polar fez com que as condições climáticas se invertessem, passando de dias amenos para muito frios. Essa frente, além de fortes ventos com chuvas possibilitou a formação de geadas em quase todo o território gaúcho, prejudicando as áreas com olerícolas, especialmente as folhosas, cultivadas a céu aberto. Essa situação deverá comprometer a oferta de alguns produtos nos próximos dias, causando remanejo de preços nos mercados e feiras. Por outro lado, as frutíferas rosáceas serão beneficiadas com a entrada desta frente fria, em decorrência da necessidade de frio para seu bom desenvolvimento, o que irá restabelecer a normalidade da estação vigente.
A colheita das frutas cítricas continua intensa na região do Vale do Caí, onde se concentra a maior área de cultivo do Rio Grande do Sul. Está sendo finalizada a colheita das variedades de ciclo médio e sendo iniciada a colheita das frutas cítricas das variedades tardias. A laranja, no Vale do Caí, enfrenta sérios problemas fitossanitários e baixa produção. A laranja é naturalmente mais suscetível ao cancro cítrico do que a bergamota, e as condições climáticas, com grande volume de chuvas na última primavera-verão, foram muito propícias ao desenvolvimento dessa doença. Além da maior incidência de cancro cítrico neste ano, a laranja também sofreu com outra doença chamada de “queda do fruto jovem”, causada por um fungo, que determina a caída da frutinha no início do seu desenvolvimento. Essas condições determinaram uma redução da produção de laranjas que, até o momento, é estimada em 30 %, com diferente intensidade de perda conforme a variedade.
Intensificam-se as atividades de inverno na região Serrana com a cultura da videira. Nos vales, a poda e o amarrio são as práticas do momento. Nas áreas mais elevadas, há renovação do parreiral, a sistematização do terreno e a adubação das espécies de cobertura do solo. Muitos viticultores estavam esperando a chegada do frio, que agora se instala, para poder realizar os tratamentos de inverno, tornando-os mais seguros, principalmente aqueles à base de enxofre.
O campo nativo, que vinha se mantendo com uma relativa capacidade de suporte, em função do seu bom volume de palhada e por um pequeno desenvolvimento, tende, de agora até o início da primavera, a manter os níveis normais de lotação para o período hibernal, com baixa qualidade e palatabilidade de sua forragem. Por outro lado, a umidade, desde que não em excesso, e o frio intenso favorecem o perfilhamento das espécies hibernais, em especial o azevém, a aveia e, em algumas regiões do planalto, o trigo de dupla aptidão, cultivado também para o pastoreio.
Após uma sequência de quedas, o preço médio do leite pago ao produtor comportou-se de forma estável no período decorrido. Segundo o levantamento realizado nas principais regiões de produção do Estado, o produto permaneceu fixado em R$ 0,63 o litro. O valor pago está sendo considerado baixo pelos produtores, que, neste período, enfrentam custo crescente decorrente do maior consumo de alimentos por parte dos animais.
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